NOTA PUBLICA

Postado por Modesto Neto às 12:00


DEFENDEMOS O DIREITO DEMOCRÁTICO DE LULA SER CANDIDATO, MESMO DISCORDANDO FRONTALMENTE DAS POLÍTICAS DE CONCILIAÇÃO DO PT


Alternativa Socialista Nova Práxis, corrente interna do PSOL.


O Brasil atravessa a sua mais grave crise econômica e política em décadas. O alto preço da crise tem sido descarregado sobre os ombros dos trabalhadores e da juventude mais pobre do país, especialmente no Nordeste onde os índices de pobreza e miséria crescem rapidamente. O endividamento dos setores populares e o avanço dos retrocessos com as contrarreformas de Michel Temer tem mostrado um futuro aterrorizante: o capitalismo predatório mostra sua face mais monstruosa. Neste furacão que é a atual conjuntura brasileira, um debate em aberto é a possibilidade do Luiz Inácio Lula da Silva ser candidato a Presidente em 2018. Sobre essa temática a esquerda brasileira não tem consensos ou sínteses já formuladas.

É preciso reconhecer que o ciclo de 13 anos de poder do Partido dos Trabalhadores (PT), tendo Lula e Dilma Rousseff como presidentes, foi responsável direto pela avalanche de ataques que recaí contra o andar de baixo da sociedade brasileira. Os governos petistas fragilizaram a economia brasileira e estabeleceram relações administrativas e políticas orgânicas com os setores mais reacionários do espectro político nacional (capitaneados pelo PMDB de Michel Temer, José Sarney, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e Henrique Alves). O espaço que a direita galgou com a desmoralização moral do PT, coloca-os em condições de disputar, vencer e avançar em suas políticas em todo o país. A política de conciliação de classes que o PT estabeleceu nas últimas duas décadas abriu o caminho para esse momento de terror na vida do brasileiro. 

A esquerda socialista brasileira não pode esquecer-se dos erros do PT, não pode contemporizar com o Lula que serviu de garçom a burguesia nacional e internacional, não deve flertar com saídas fáceis em situações complexas da conjuntura. Isso significa manter as mais duras criticas ao Lula e ao PT, sua política e suas alianças. Entretanto, o papel que a Justiça brasileira tem adotado revela sua face mais podre. A Justiça tem agido de forma seletiva e amistosa com tucanos investigados, mas deverá condenar Lula sem provas, talvez o impedindo de ser candidato no julgamento agendado para o dia 24 de janeiro. 

O Estado de exceção que se instalou no Brasil atenta contra os direitos democráticos de todos os brasileiros. Os socialistas não devêm negociar com a direita e muito menos aceitar qualquer avanço contra os direitos do povo.  É com esse entendimento que a Nova Práxis rechaça o seletivismo do judiciário e exige Justiça para Lula, mas também para todos os brasileiros. 

Lula lidera todas as pesquisas eleitorais na corrida presidencial e é injusto negar a uma parcela significativa do povo brasileiro o direito de Lula ser candidato à Presidência em 2018. Que o direito de Lula ser candidato seja preservado. Uma condenação sem provas não pode ser considerada um julgamento minimamente sério, mas um temerário precedente constitucional que será inequivocamente utilizado contra a população mais vulnerável socialmente, em seus direitos e garantias. O povo pobre que não tem condições de defender-se nas esferas da Justiça e já é muito atacado no palco de um judiciário elitista. Se o judiciário é capaz de condenar um ex-presidente sem provas, o que farão conosco? Que o direito democrático de Luiz Inácio Lula da Silva seja preservado. Que Lula e sua política de conciliação de classes seja derrotada nas ruas e nas urnas, não no tapetão dos salões e gabinetes luxuosos do judiciário brasileiro.

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