Mais de 100 mil brasileiros querem Judith Butler longe do País

Postado por Modesto Neto às 11:07



Em 2015, Judith Butler falou em SP e um grupo da TFP (Tradição, Família e Propriedade) protestou. À época, ela disse que estava acostumada com reações assim. Mas por essa talvez a filósofa americana não esperasse: mais de 115 mil brasileiros (os números crescem a cada segundo) assinaram uma petição online pedindo que o Sesc Pompeia cancele a participação dela no seminário Os fins da democracia, entre 7 e 9/11, o que não vai acontecer, diz a instituição. Vai ter mais Butler no Brasil. Dia 6, ela faz a palestra Por uma convivência democrática radical: Israel, Palestina e a coabitação plural, na Unifesp, e lança Caminhos Divergentes: Judaicidade e Crítica do Sionismo (Boitempo). Depois, segue para o Rio. Outro livro dela que está saindo aqui, pela Autêntica, é A Vida Psíquica do Poder: Teorias da Sujeição. Butler é ainda um importante nome na discussão das questões de gênero e é nisso que o grupo internacional conservador Citizen Go se pauta em sua petição.

FESTIVAL – 1
Balada literária e móvel
Com Jards Macalé, Conceição Evaristo, Milton Hatoum, Arnaldo Antunes, Ondjaki, Aline Bei e a funkeira trans Blackyva, entre tantos outros, a Balada Literária chega à 12.ª edição entre os dias 8 e 12 de novembro. O homenageado será Torquato Neto e Tom Zé participa de bate-papo no encerramento, quando será exibido, no Cine Sesc, o documentário Todas as Horas do Fim, sobre Torquato.

A Balada acaba de passar por Teresina e estará em Salvador de 3 a 5/11. “Quero descentralizar ainda mais. Uma Balada móvel, uma festa verdadeiramente brasileira”, diz Marcelino Freire. Campo Grande e Porto Velho estão no radar.

FESTIVAL – 2
A festa e o livro
No Rio, a 6.ª Festa Literária das Periferias (Flup) será entre os dias 10 e 15, na comunidade do Vidigal, e vai receber cerca de 40 convidados para discutir temas relacionados a revoluções (sexuais, científicas, da internet, etc.). Entre os debates, o racismo por um viés feminista, com a antropóloga francesa Françoise Vergès e Djamila Ribeiro. Há mais na programação, como oficinas e sessões de autógrafos – Renato Aragão, por exemplo, lança sua biografia lá.
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Um dos desdobramentos do evento é a Flup Pensa, que já revelou mais de 200 autores das favelas cariocas. Sairão mais três coletâneas até o fim do ano, duas na festa: Cidade de Deus 50 Anos, em HQ, com a história de moradores, e Seis Temas à Procura de Um Poema. No fim do ano sai Se Segura Malandro, com narrativas curtas inspiradas em Bezerra da Silva.

PRÊMIO
Reta final
As inscrições para o Prêmio Kindle de Literatura terminam na terça, 31, e alguns dos concorrentes já sentem o gostinho de estar entre os mais vendidos/lidos – para participar é preciso autopublicar a obra e divulgá-la. Até ontem, 17 livros inscritos no prêmio atingiram o Top 100 de best-sellers da Amazon.com.br, com 6 deles figurando entre os 10 mais vendidos.

MERCADO
Meta cumprida
As editoras que foram a Frankfurt pelo projeto Brazilian Publishers estimam a comercialização de US$ 680 mil em venda de direitos e exportação de livros pelos próximos 12 meses.

CLÁSSICO
Centenário
Inédito aqui, Húmus faz 100 anos e a Carambaia publica a obra de Raul Brandão (1867-1930), um dos maiores autores portugueses do século 20, em meados de novembro. No posfácio, Leonardo Gandolfi cita críticos que põem autor e obra no mesmo nível de Livro do Desassossego e de Pessoa.

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