A síndrome de Rocky Balboa do Vasco

Postado por Modesto Neto às 01:09

Por Andre Schmidt - Blog do Garone

Vasco é campeão carioca 2015. E o elenco não recebe novidades, mesmo perdendo algumas peças.

Sofre goleadas, naufraga pelo Z4 e, quando a água se aproxima da testa, contrata Nenê, Herrera, Andrezinho, Jorge Henrique, Bruno Gallo, traz Jorginho e Zinho… Ela desce, mas apenas os olhos ficam de fora. Nariz e boca não. E se afoga.

Em 2016, a história se repete. Título estadual, invencibilidade histórica e nada de reforços no período de alta. Como de costume, espera o mar ficar revolto para começar a nadar. Quando as coisas começam a complicar, chegam Ederson e Junior Dutra, sobe Douglas Luiz, e a maré calma da Série B facilita. O clube retorna à elite, mas sem braçadas de dar inveja.

Este ano, nova reprise. Muda o treinador e anuncia-se que ‘quatro ou cinco reforços’ chegarão ao clube. Corinthians e Fluminense goleiam o Vasco no primeiro mês de bola rolando, apenas com Muriqui e Escudero. A meta de contratações dobra e um novo treinador chega. Não a tempo de buscar o tri e já fora da Copa do Brasil.

Para o Brasileirão, o elenco que já carecia de reforços, perde sua dupla de zaga titular, que apesar das atuações inconstantes, era o que se tinha de melhor para o setor. E as reposições não chegam. Vem nova goleada, dessa vez para o Palmeiras e, apenas um dia depois, se concretizam as negociações com Paulão  e Breno, e avança o acerto com Anderson Martins.

Mais uma vez, o Vasco esperou ser nocauteado para entender que precisa movimentar as pernas sempre, senão vira alvo fácil. Uma velha síndrome de Rocky Balboa que já vem de outros tempos: espera apanhar para tentar começar a bater. A questão é que nem sempre dá tempo de acertar as esquivas, muito menos os golpes.

Levar pancada nem sempre te deixa mais forte, como Balboa te faz acreditar. Muita vezes, apenas machuca.

Breno e Paulão são as respostas mais rápidas possíveis no momento, o que não quer dizer que são as melhores. Mas sobem o nível – o que não é muito parâmetro tendo em vista o futebol apresentado pela defesa do Vasco frente ao Palmeiras.

Com Anderson Martins, o setor enfim ficará completo e com melhores opções do que as que tinha anteriormente. Porém, o tempo para encaixar estes jogadores no grupo e no esquema, foi perdido. E não volta. Mais uma vez terá que trocar o pneu com o carro andando, assim como fez em 2015 e 2016.

Ir à lona na 1ª rodada, enquanto há tempo para recuperar, talvez tenha sido a única vantagem na derrota para o Palmeiras. O que não anula a possibilidade de ser nocauteado novamente na 38ª, caso não aprenda a lutar desde já.

Nem tudo é força, muita coisa é jeito. Técnica. Seja no boxe ou no futebol. No filme ou na vida real.

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