Clemenceau Alves mente e viola a história e a realidade

Postado por Modesto Neto às 18:02

Por Modesto Neto

O ex-prefeito de Angicos-RN e dono do PMDB local, Clemenceau Alves, concedeu entrevista de mais de 30 minutos na Rádio FM 104, 9 Cabugi Central na última sexta-feira (13 de maio) e mentiu grosseiramente sobre o Governo Michel Temer que assumiu interinamente a Presidência da República por força do afastamento da presidenta Dilma Rousseff, dentre um rosário de inverdades ditas sobre os mais diversos assuntos. Clemenceau Alves mentiu em virtude de desinformação e ignorância e em parte pela expressão de sua política coronelista e atrasada. O portal Angicos Notícias dirigido pelo blogueiro Leonardo Ribeiro disponibilizou o áudio da entrevista e todos os interessados podem tirar suas próprias dúvidas. A entrevista pode ser acessada AQUI. Infelizmente os microfones da rádio não estão à nossa disposição e eu na condição de historiador e cientista social me sinto no dever de esclarecer muitas das bizarrices ditas pelo representante máximo da oligarquia Alves na cidade. Então, vamos ao trabalho!

1º) – Existe golpe institucional e o Governo Michel Temer é ilegítimo. Clemenceau Alves não é jurista, mas disse que não existe nenhum tipo de golpe, quando na verdade foi armado um golpe institucional (que envolve um acordo tático entre o Parlamento conservador e o Judiciário sem justiça) contra a presidente Dilma (que já fazia um Governo horroroso) para acelerar o programa de ataques contra os trabalhadores como a terceirização, a baixa do salário mínimo e o aumento do tempo necessário para a aposentadoria. O Governo Temer é um governo ilegítimo porque não possui base popular. Ponto. 

2º) – Golpe não é revolução. Referindo-se ao golpe militar de 1964 o ex-prefeito tratou o ocorrido como “revolução”, o que é claramente uma violação grosseira a história e a realidade. Mas, Clemenceau conseguiu cavar mais fundo e justificou o golpe em virtude da “anarquia que se praticava naquele tempo” e ainda disse que os militares “foram tomar o poder por três meses e passaram 10 anos”. Primeiro: em 1964 o que ocorreu foi um golpe e isso é um consenso entre todos os historiadores e cientistas sociais do Brasil e do mundo. Segundo: os movimentos que ocorriam no Brasil no começo da década de 1960 (apoiado por vários setores sociais) era pelas Reformas de Base que buscavam avanço na repartição de terras e mudanças tributárias, bancárias e educacionais, não existe absolutamente nada de semelhante a um programa política anarquista. Terceiro: a Ditadura durou 21 anos e não 10 como foi alardeado, o saldo desse período (1964-1985) foram os milhares de assassinatos, torturas, desaparecimentos e prisões ilegais. Um detalhe adicional é importante: Aluízio Alves que era tio de Clemenceau Alves foi o primeiro governador do Nordeste a apoiar o golpe militar de 1964 e essa não é uma tese, é um fato. As várias publicações do professor e historiador Henrique Alonso que trabalhou com pesquisas em Washington na Embaixada dos EUA e em centros de documentação provam a relação de Aluízio com o presidente estadunidense Kennedy no tocante ao golpe de 1964. 
  
3º) – A Venezuela não é uma ditadura. A Venezuela que passa por uma grave crise econômica e enormes dificuldades no setor energético tem uma população cada vez mais imersa na pobreza, mas a Venezuela não é uma ditadura e dizer isso é falso. A Venezuela tem eleições gerais, diretas, livres, transparentes e reconhecidas pelas organizações internacionais como a ONU. Na última eleição o partido do presidente Nicolas Maduro perdeu as eleições parlamentares e hoje a oposição é maioria no parlamento venezuelano. Ponto.

4º) – Temer não é amigo de Angicos. Clemenceau Alves disse que Angicos precisa eleger um prefeito do PMDB porque “Temer é amigo de Henrique Alves e Henrique é amigo de Angicos”. O Ministro do Turismo citado e investigado pela Operação Lava Jato, Henrique Eduardo Alves, apesar de ser carioca da gema (natural do Rio de Janeiro) sempre colheu bastantes votos em Angicos, mas durante quase meio século em cargos de poder (Deputado Federal, Presidente da Câmara e Ministro do Turismo) sequer trouxe uma obra estruturante para a cidade. Michel Temer e Henrique Alves no poder não significa que Angicos se tornará um canteiro de obras. Isso é certo.

5º) – A UFERSA não é um presente dos Alves. Clemenceau Alves diz que foi a sua pressão como primo de Henrique Alves e Garibaldi Alves (na época presidente-tampão do Senado) que foi o ponto de intersecção para garantir a instalação do Campus da UFERSA em Angicos. A UFERSA na cidade é resultado, primeiro de uma política de expansão e interiorização do ensino superior do MEC e do Governo Federal. Mas, além dessa política (que o Governo Temer não terá) os estudos apontavam a cidade de Angicos como a mais acertada para a instalação da universidade e houve muita mobilização da sociedade civil organizada e da própria administração à época (o ex-prefeito Ronaldo Teixeira) que buscou o apoio das cidades da Região Central. Quem faz a UFERSA cotidianamente não deve absolutamente nada a família Alves e a universidade não é um presente de uma oligarquia. 


(*) Modesto Neto é historiador, cientista social e dirigente do PSOL.
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