Robério Paulino emite nota contra ameaças a Luciana Genro

Postado por Modesto Neto às 17:46

O ex-candidato ao Governo do Estado pelo PSOL no RN em 2014, professor do Departamento de Políticas Públicas da UFRN, Robério Paulino, emitiu nota pública em seu Facebook sobre as ameaças do diretor do site Opera Mundi a ex-candidata à Presidência pelo PSOL, Luciana Genro. Segue abaixo a nota.


NOTA DO PROFESSOR ROBÉRIO PAULINO, DO PSOL RN, CONTRA AS AMEAÇAS A LUCIANA GENRO - APESAR DE ALGUMAS DIFERENÇAS COM ELA - E SOBRE A CORREÇÃO DA POLÍTICA DE ELEIÇÕES GERAIS.

O diretor do site Opera Mundi, Breno Altman, defensor ardente do governo Dilma e do PT, sugeriu no dia 29 de março, que Luciana Genro, nossa candidata a presidente pelo PSOL, deveria ser tratada - por expressar posições políticas críticas ao governo e defender Eleições Gerais - como em 1940, numa alusão ao assassinato de Trotsky a mando de Stalin, o ditador por décadas na antiga URSS e que só enlameou o nome do socialismo, fazendo um regime de ditadura sobre o proletariado e sobre toda a sociedade. Como muitos de nós também defendemos essa política, infere-se que a sugestão vale, evidentemente, para nós e outras organizações que não nos colocamos nem no campo da direita, nem no campo da defesa da continuidade do governo, mesmo com toda sua política contra os trabalhadores. Essa é a "democracia" de alguns governistas: a defesa da eliminação física dos seus opositores.

E ainda falam que é só a direita está despejando ódio nas ruas. A verdade é que parte dos petistas nunca rompeu com a visão stalinista e seu ódio á qualquer crítica de esquerda. São os mesmos que defenderam sempre as alianças do PT com Maluf, com o PMDB de Temer, com Sarney e com o grande capital, representado por ministros como Henrique Meirelles no primeiro governo Lula. O PT preparou toda essa situação que está ai, desmoralizando em grande medida toda a esquerda, ou seja, fazendo sim o jogo da direita, do grande capital. Só que o capital e a direita dizem hoje: Game Over. Não querem mais terceirizar a aplicação do programa neoliberal ao PT, querem aplicar diretamente tal política e querem o monopólio da corrupção e do manejo exclusivo de toda podridão e aparelhamento da máquina do Estado. Mas hoje, os mesmos que se calaram em relação à aliança do PT com tudo que há de mais podre no Brasil nos acusam de que nós é que fazemos o jogo da direita, por nossas posições. Hipócritas. Quem fez o jogo da direita e do capital nesse país nos últimos anos?

Vejam que raciocínio binário reacionário, nefasto, deseducativo, está se criando no país: para a direita, somos agentes do PT porque não apoiamos o impeachment e a subida ao governo de gente tão ou mais corrupta, como Temer e o PMDB/PSDB; para parte dos petistas, somos golpistas e fazemos o jogo da direita, por criticar o governo e discordar de sua política de ataques aos trabalhadores, como os anunciados pelo Ministro Barbosa.

Posso discordar de Luciana Genro num ou noutro ponto, como por exemplo, acho que ela e sua corrente não veem o perigo de um retrocesso institucional no país por trás das manifestações de verde e amarelo, de um endurecimento contra os movimentos sociais com uma vitória desse campo. Campo que tem gente honesta que respeitamos sem dúvida, mas envolve fascistas, defensores da ditadura, corruptos de todo tipo, defensores do fim dos programas sociais. Penso que Luciana se empolga com a Lava Jato, sem ver que o Judiciário numa sociedade capitalista também é capitalista, portanto conservador, contra o povo na maioria das vezes, e que a saída pela via da Lava Jato pode implicar numa espécie de novo regime judicial-policial-midiático, vigiando a vida de todos nós e criminalizando ainda mais os movimentos sociais.

Haja vista o que o Judiciário faz quase sempre contra as manifestações sociais, com as greves, com as multas sobre os sindicatos. Somos sim a favor de investigações rigorosa, da Lava Jato, se for realmente imparcial e investigar todos, não instrumentalizada, partidarizada, como passou a ser depois de certo ponto. Um Judiciário imparcial e sob controle popular seria muito importante mesmo no socialismo, o que nunca houve no regime de Stalin. Mas não devemos alimentar ilusões na Justiça no atual sistema social. Uma vitória do campo de verde e amarelo, apoiado por ninguém menos que a Globo, não é um golpe tipo militar, mas sem dúvida pode implicar num retrocesso para luta social.

Mas dizer isso não pode nos faze esquecer que, em essência, Luciana está com a razão ao não se perfilar no campo de defesa do governo, como fazem muitos stalinistas, como Bruno Altman.

A hora é de construir urgentemente um terceiro campo, alternativo à direita, mas também diferente e muito crítico ao governo do PT, em tudo. Senão, o PSOL vai afundar junto.

Quanto à política de Eleições Gerais, que também defendo, tal política não pode ser vista como uma política que ajuda a direita, pelo contrário. O que não percebem os defensores da legalidade - na prática, defensores do governo, por mais que neguem - é que o governo Dilma já acabou, já era. Isso deve ser levado em conta. E se continuar por mais alguns meses - o que é improvável -, vai ser com o PT, Dilma e Lula completamente rendidos, ajoelhados, aplicando medidas ainda mais de direita no campo social, distribuindo ministérios para partidos da pior espécie etc.. Só tolos acreditam em giro à esquerda, É isso que vocês querem? É difícil entender isso? A saída da direita passa por Temer, pelo abafamento da Lava Jato, por um arranjo que serene os ânimos, por um plano neoliberal ainda mais duro que a política aplicada pelo PT. O puxão de orelha do STF em Moro teve como pano de fundo evitar uma maior polarização e politização do país. Sentiram o cheiro do perigo. Querem agora dar uma saída que diminua a ida ás ruas, a discussão nos meios de comunicação.

Nós, ao contrário, queremos "incendiar" o país com discussão. E assim a política de Eleições Gerais vai contra o coração da política da direita, mela o golpe - pra quem prefere chamar assim. Será tão difícil de entender isso? E, além disso, chama o povo - o grande ausente tanto das manifestações de verde a amarelo, como as em defesa do governo - a decidir, a intervir no processo, a falar. Alguns dizem: mas Eleições Gerais podem levar a direita ao governo. Mas se for assim temos que ser contra eleições mesmo em 2018, pois é muito possível um governo ainda mais a direita que do PT em 2018. O calendário eleitoral não é o nosso calendário. Alguns acusam Luciana de adaptação à democracia burguesa. Mas defender o cumprimento do calendário não seria uma adaptação? Só se pode mudar um governo por eleições?

Bem, mas meu objetivo aqui é repudiar por completo a insinuação stalinista de Breno Altman - concepção que em seus métodos não diferia do fascismo - contra nossa camarada Luciana e chamar o conjunto do partido a defendê-la, mesmo quando tenhamos diferenças.

Prof. Robério Paulino

PSOL-RN
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