Oposição de direita elege presidente da câmara na Venezuela

Postado por Modesto Neto às 12:28


A queda de popularidade de Nicolás Maduro levou a oposição de direita na Venezuela a ganhar as eleições parlamentares de 6 de dezembro (que lá são separadas das eleições presidenciais), levando 112 das 167 cadeiras, ou seja, dois terços do Parlamento da Venezuela.Esse fato foi até hoje a principal derrota do chavismo na Venezuela, que desde 2000 conseguiu controlar a maioria dos deputados.

O parlamento, antes de maioria chavista, tinha como presidente Diosdado Cabello, que também é o presidente do partido chavista, PSUV. Diosdado Cabello foi o promotor das "leis habilitantes" que outorgam o direito do presidente Nicolás Maduro governar através de decretos. Um dispositivo bonapartista e autoritário, que foi necessário para que a classe dominante impusesse medidas antipopulares tais como a massiva desvalorização da moeda.

A grande contradição é que a oposição terá que absorver as medidas bonapartistas do chavismo para poder aplicar seus próprios ataques contra a classe trabalhadora. Henry Ramos Allup e a oposição de direita vêm fazendo discurso de combater as leis habilitantes "inúteis", ou seja, aquelas que não lhes parecem convenientes para serem usadas contra os trabalhadores. Outras mais "úteis" podem ser mantidas.

Após a vitória eleitoral, a oposição se movimenta tendo em vistas o exemplo brasileiro. Allup chega à presidência do parlamento afirmando que defende a renúncia de Nicolas Maduro e muito provavelmente se arma dentro da oposição a possibilidade de lançarem campanha pela revogação do mandado do presidente chavista. Para isso, ainda existe muito a ser conquistado pela oposição de direita; o controle do Judiciário, ainda sob forte influência chavista, é um dos obstáculos para essa manobra.

O avançar da crise política na América Latina, e a burocratização das direções sindicais e populares têm levado a que a direita e as forças reacionárias tenham vindo à ofensiva, No Brasil a direita busca destruir o PT e revogar o mandato de Dilma Roussef, na Venezuela a direita esquálida avança sobre o parlamento. A eleição de Macri na Argentina é expressão do mesmo fenômeno. As eleições expressam apenas de forma distorcida a vontade dos trabalhadores e do povo pobre, Tanto os governos ditos "progressistas" tais como o chavismo, o petismo e o kirchnerismo, assim como a direita neoliberal, são financiados pelos mesmos agentes capitalistas.


As oposições de direita, quando regressarem ao poder, farão os mesmos ataques que estes governos de Dilma, Maduro e Cristina têm feito, mas com maior intensidade sobre a classe trabalhadora. As primeiras medidas de Maurício Macri na Argentina nos dão uma boa mostra de como estas oposições ludibriam os eleitores em função dos grandes capitalistas. Os trabalhadores, por sua vez, precisam romper as ilusões nestes governos ditos progressistas, que têm engessado e debilitado a capacidade dos sindicatos e organizações populares de frear os ataques que estes próprios governos têm deflagrado. Na verdade, nada mais fazem a não ser preparar o solo para que os novos governos da direita venham com ataques ainda mais pesados sobre os ombros dos trabalhadores.
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