Indústria paulista fecha 2015 com recorde de 235 mil demissões, diz Fiesp

Postado por Modesto Neto às 12:55


A indústria paulista fechou 53.500 vagas em dezembro, uma baixa de 2,26% ante novembro na série sem ajuste sazonal.

Com isso, o ano de 2015 terminou com 235 mil demissões, queda de 9,26% em relação ao ano anterior, marcando o pior desempenho da séria histórica, iniciada em 2006. Os dados são da Pesquisa de Nível de Emprego, elaborado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Para 2016, a instituição patronal projeta queda de 6% no emprego industrial, o que equivale ao corte de pelo menos 165 mil vagas.

Em 2015, todos os 22 setores industriais avaliados em São Paulo demitiram mais do que contrataram. É a primeira vez na história da pesquisa que isso acontece. Entre os setores que mais demitiram, destaque para a indústria automotiva, que fechou 33.217 vagas no ano passado, seguida pelo segmento de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos, com 33.057 postos de trabalho a menos. O setor de máquinas e equipamentos demitiu 28.496 trabalhadores, enquanto a indústria de confecção de artigos do vestuário e acessórios fechou 21.130 vagas.

Na divisão geográfica, também houve queda em todas as regiões pesquisadas. Na Grande São Paulo, o emprego industrial fechou o ano com baixa de 9,99%, enquanto no interior houve retração de 8,65%. Entre as 36 divisões, o emprego na região de Santo André foi o mais afetado, com queda de 16,94%. Diadema registrou perdas de 15,67% no ano, enquanto Taubaté amargou um recuo de 15,38%.

Preocupados em aumentar a margem de lucro através da intensificação da exploração do trabalho, e indiretamente por meio da constituição de um enorme exército industrial de reserva que empurra a média salarial para baixo, os capitalistas ultrapassam todos os limites da demagogia. Para isso são protegidos pelas burocracias sindicais, como a CUT, a CTB e a Força Sindical, que ao contrário de servirem como alternativa de combate, se colocam ao lado do lucro dos patrões negociando demissões, e formas cada vez mais profundas de coibir a resistência, como é o caso PPE (Plano de Proteção ao Emprego, que reduz a jornada com redução salarial), como nas fábricas do ABC - a região mais afetada pelas demissões.

Estes dados mostram como a patronal está descarregando a crise nas costas dos trabalhadores. Mesmo com toda essa onda de demissões em massa, a burocracia sindical segue colocando centro somente no apoio ao governo federal e no acordo com empresários no chamado “Compromisso pelo Desenvolvimento”, que tem como eixo garantir o atendimento dos interesses patronais. Essa onda de demissões só poderá ser enfrentada com um plano de luta efetivo, que seja parte de um movimento nacional contra os ajustes.


Com informações da Agência Estado
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