No palácio da resistência, a juventude resiste!

Postado por Modesto Neto às 01:10


Por Johnata Macêdo*

Desde a manhã do dia 24 (terça-feira) o prefeito Silveira (PSD) não comparece ao seu local de exercício da sua função, pois diante do descaso e desrespeito com os trabalhadores e trabalhadoras de Mossoró, a juventude tomou de assalto o palácio da resistência, para de maneira simbólica e singular dar sentido a seu nome histórico.

Mesmo com o transporte público municipal há anos sucateado, mesmo com uma frota insuficiente, mesmo com um serviço mal prestado e caro, a gestão municipal decidiu por aumentar a tarifa dos ônibus de Mossoró em 50% (de 2 para 3 reais), o que gerou um sentimento geral de indignação e demandou uma resposta contundente da sociedade mossoroense. No dia 20 (sexta-feira) manifestações de rua já tinham sido feitas e a repressão policial deixou bem claro, o quão importante se circunstanciou pressionar com unidade para a revogação deste reajuste que coloca mais um peso nas costas da população pobre e periférica da terra da resistência, que já arca com uma crise de conjectura nacional. Neste período de mais de 24 horas de ocupação a guarda municipal e a polícia esteve presente em alguns momentos da manifestação, como sempre querendo intimidar a luta por mais direitos, fato recorrente nos movimentos sociais em todo o país.

De maneira auto organizativa, a ocupação designou comissões de limpeza, alimentos, segurança e assessoria jurídica, para assegurar a proteção daqueles que estão acampados, o que comprova a organicidade e capacidade do grupo de permanecer lá até que as pautas prioritárias sejam atendidas e as negociações comecem.

A juventude afirma que só negocia a desocupação diante da revogação do decreto do aumento, só assim dando início à negociação das seguintes pautas:

1.            Circulação dos 35 ônibus diariamente inclusive nos fins de semana
2.            Retorno da bilhetagem eletrônica e o fim do limite de compras de tickets pelos estudantes
3.            Garantia das rotas do plano de mobilidade urbana
4.            Respeito aos horários das instituições de ensino
5.            Criação de um fórum permanente de mobilidade urbana garantindo a paridade entre poder público e sociedade civil, compreendida aqui por movimento estudantil, sindicatos, movimentos sociais, ressalvando que o empresariado não deverá ser considerado na cota de movimentos sociais.

O movimento tem notável apoio da sociedade mossoroense, que desde o início da ocupação se faz presente na manutenção da estadia dos jovens no palácio da resistência, seja com a presença ou com a doação de mantimentos. Este respaldo inspira confiança para que as pautas reivindicadas sejam negociadas, pois o povo em Mossoró não tem deixado de mostrar a força que tem.

Além das entidades que compõem diretamente a ocupação, dentre as quais o PSOL está representado, sindicatos e movimentos sociais declararão apoio público à resistência da juventude. A Universidade Federal Rural do Semi-Árido, a Universidade Estadual do Rio Grande do Norte e o Instituto Federal do Rio Grande do Norte – Campus Mossoró, lançaram também uma nota conjunta em represália a ação violenta da polícia no dia 20, o que indica um aceno favorável a luta pela melhoria do transporte público e mobilidade urbana, pleiteada pelos estudantes, trabalhadores e trabalhadoras em Mossoró.

Diante desta conjuntura, não arredaremos o pé, 3 reais já é demais, a ocupação vai continuar!


(*) Johnata Macêdo é estudante de Direito na UFERSA e militante da Nova Práxis/PSOL.
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