Michel Temer: quem é a atual raposa dentro do galinheiro?

Postado por Modesto Neto às 12:08
Por Adriano Favarin – Esquerda Diário


Poucos políticos se enquadram tão perfeitamente no status de “raposa” quanto Michel Temer. Astuto político da classe dominante,foi procurador-geral do governador Franco Montoro em São Paulo durante a transição pactuada da ditadura militar para a atual democracia. Atuou como Deputado Constitucionalista e em 1992 foi nomeado Secretario de Segurança do governador Fleury Filho, logo após o massacre do Carandiru. Sua atuação na garantia de que o maior crime cometido pelo Estado de São Paulo até hoje continue insolúvel, sem a individualização da autoria, fez com que Fleury o nomeasse o segundo homem na hierarquia do Palácio dos Bandeirantes, “ele me ajudou muito”, afirmara.

Presidente da Câmara dos Deputados em 1997 e 1999 durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e em 2009 durante o governo de Lula (PT), disputou a Prefeitura de São Paulo em 2004 como vice da chapa de Luiza Erundina (PSB). Como todo bom fisiologista, teve seu nome citado 21 vezes numa lista que seria de doações não declaradas na Construtora Camargo Corrêa. Também esteve envolvido no Mensalão do DEM, no Distrito Federal, acusado de ter recebido dinheiro para afastar do partido o ex-governador Joaquim Roriz.

É este homem, com esta índole inabalável, presidente do PMDB desde 2001, que foi escolhido pelo PT para ser vice-presidente de Dilma Rousseff tanto em 2010 quanto agora e garantir a tal da “governabilidade”. Mas quando se deixa uma raposa cuidando do galinheiro já se sabe quais serão as consequências.

Na ultima quinta-feira, após várias demonstrações públicas de desagravo e críticas contra a presidente Dilma, Michel Temer deixou a posição de coadjuvante para ser apresentar perante a burguesia brasileira como alternativa para comandar o pais em caso de impeachment. Por enquanto, tal carta-programa do PMDB que será debatida em Congresso do partido, sinaliza mais a possibilidade de uma ruptura do partido da coligação com o PT para as eleições de 2016 e 2018 (e uma abertura para aliança com setores oposicionistas) e uma tentativa de conseguir apoio de setores da oposição para medidas mais duras de ajuste do que um impulso para o impeachment.

O PMDB sabe muito bem que assumir a presidência da Republica em um momento no qual a burguesia, para manter sua taxa de lucro, necessita impor ajustes fiscais e econômicos contra os trabalhadores e com uma economia que não aponta sinais de melhora nos próximos anos, significaria sacrificar qualquer possibilidade de levar a frente um projeto político próprio nas eleições de 2018. O mais importante para essas velhas raposas fisiológicas é se apresentar como alternativa viável, uma “alternativa” que propõe ajustes estruturais e ataques históricos aos trabalhadores e a juventude.

O programa apresentado pelo PMDB defende a aplicação dd ajustes como o estabelecimento de uma idade mínima de aposentadoria de 60 e 65 para mulheres e homens e o fim da indexação dos benefícios sociais e previdenciários de acordo com o salário mínimo.

Também defende medidas como a prevalência dos acordos de convenções coletivas de trabalho sobre as normas legais. Essas medidas foram apresentadas pela primeira vez no Brasil pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, da CUT, com o nome de Acordo Coletivo Especial (ACE). Por fim, apresenta pontos mais próximos da Agenda Positiva costurada entre o Presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e o Planalto como o fim dos patamares mínimos para gastos com saúde e educação e pontos com o PSDB, como o fim do regime de partilha da Petrobrás.


Nessa disputa por espaço dentro da maquina estatal burguesa, quanto mais se apaga o brilho conciliador da estrela petista e enquanto se bicam os tucanos sobre como aproveitar esse momento, as raposas do PMDB avançam sobre o galinheiro.
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