Por um PSOL à esquerda e socialista e em defesa do ingresso do MRT

Postado por Modesto Neto às 13:10


NOTA DA NOVA PRÁXIS SOBRE O INGRESSO DO MRT AO PSOL

O PSOL surgiu da falência do PT enquanto instrumento dos trabalhadores nos inevitáveis embates da luta de classes no Brasil. O abandono do socialismo como horizonte político estratégico e a capitulação ao capitalismo tornaram o PT um partido da ordem e impuseram uma derrota frustrante a milhares de militantes socialistas que dedicaram energia e trabalho na construção de uma alternativa política capaz de se expressar um novo projeto de sociedade nas lutas do povo nas ruas e nas eleições.  O PSOL nasceu da necessidade de reconstruir essa alternativa política radical e anticapitalista, superando os equívocos da conciliação de classes vivenciados pela experiência petista e aglutinando os setores políticos e sociais dispostos a tocar a tarefa revolucionária rumo à superação do capitalismo.

O PSOL se organiza com a existência de um coletivo de tendências internas que o compõem, e, não poderia ser diferente em um partido amplo que reivindica uma práxis radicalmente democrática. O Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT, ex-LERQI), organização trotskista com relevante atuação no Estado de São Paulo entre a juventude e os trabalhadores, realizou seu I Congresso entre nos dias 17, 18 e 19 de julho com mais de duzentos e cinquenta militantes que aprovaram o ingresso no PSOL enquanto corrente interna. Frente à deliberação congressual do MRT a Alternativa Socialista Nova Práxis, tendência interna do PSOL, saúda a decisão dos companheiros ao tempo que defende taxativamente e o seu ingresso e incorporação à vida partidária.

Hoje não podemos perder de vista que o PSOL vive um profundo dilema que ameaça a sua existência enquanto um partido político socialista conectado com as lutas do povo e afinado com as expressões das ruas nas manifestações que colocam em cena jovens e trabalhadores. Nós que construímos a Nova Práxis defendemos um partido profundamente enraizado nas lutas e apostamos todas nossas fichas na mobilização social, reconhecendo a importância da disputa institucional eleitoral, mas cientes de suas limitações e do terreno burguês em que disputamos. Entretanto, não podemos negar que é necessário superar as contradições e equívocos políticos mais imediatos, consequências da atuação da Unidade Socialista e do grupo do senador Randolfe Rodrigues do Amapá.

Neste ano em que se realizará o 5º Congresso Nacional do PSOL estamos cientes que nosso partido está em disputa e ameaçado por um projeto deformado que une a conciliação de classes a flacidez ideológica, justificando e promovendo alianças com partidos patronais. Neste sentido é certo que precisamos dobrar nossa organização e luta para a construção de um PSOL à esquerda e socialista. Embora os prazos congressuais para o direito a voto no Congresso Nacional do PSOL já tenha se vencido, defendemos o direito do MRT de participar dos debates congressuais apresentando suas ideias e concepções. Esperamos dos companheiros do MRT uma prática pautada no respeito e na solidariedade socialista frente às demais correntes ao tempo que reiteramos contar com a colaboração e disposição militante dos companheiros na tarefa de barrar o avanço reformista e conciliador dentro do PSOL, apontando uma concepção partidária assertivamente socialista.


Natal/RN, em 21 de julho de 2015.


Alternativa Socialista Nova Práxis
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