Chuvas em Angicos demonstram o déficit de infraestrutura

Postado por Modesto Neto às 21:24


Johnata Macêdo*

Hoje a chuva molhou a região central como tanto pedimos, há anos de pouca água e muita agonia dos nossos sertanejos. A chuva que lavou nosso chão seco mostrou também hoje que Angicos, assim como muitas cidades do RN e do Brasil, não tem infraestrutura para suportar a água que tanto precisamos. A falta de saneamento básico e infraestrutura mínima para suportar as intempéries hídricas são gargalos na estrutura da cidade que se arrastam anos a fio. Um problema que pede uma solução emergente.

Em uma rápida volta pela cidade constatamos ruas intransitáveis completamente alagadas, muitas pessoas preocupadas com a estrutura de suas casas, além de outros problemas que se avolumam. O estopim da situação a noite deste domingo (22/março) foi a ocorrência na estrada que dá acesso à UFERSA (Universidade Federal Rural do Semi-Árido), onde um buraco imenso se abriu no acostamento revelando um oco embaixo do asfalto, que seria uma passagem de água. Não sou nenhum engenheiro, portanto meu conhecimento sobre construções é de caráter especulativo, entretanto acredito que os acadêmicos em formação na universidade local podem ratificar que essa fenda que poderia causar um acidente grave era um desastre previsível.  Como podem construir um asfalto oco por baixo e incapaz de suportar uma chuva mais forte?

Estando no local foi possível constatar que a água ainda nem escoava pelo cano por baixo da pista, o que poderia piorar a situação. Enfim, é importante associar este acontecimento à vontade e atuação política de nossos governantes. Afinal, não é novidade que a construção de rodovias e obras de maior porte sempre foi um nicho para a corrupção. Casos de superfaturamento de obras como esta nem impactam por já serem de conhecimento popular. A relação entre construtoras e políticos, não apenas no RN, mas no Brasil, é uma relação onde “uma mão lava a outra” como fala o dito popular. Essa relação venal que é a mãe da corrupção precisa acabar. Contudo, não podemos afirmar que a obra em questão em Angicos foi superfaturada, mas afirmamos: cabe investigação técnica sobre a questão.

Não queremos agredir ninguém com este artigo/notícia, mas é necessária uma explicação minimamente plausível para a cratera que se abriu na estrada mais nova construída na cidade, paralisando as atividades da universidade nesta segunda (23/março). É normal que uma estrada com tão poucos anos de existência se desmonte como papelão com a primeira chuva volumosa do ano? Poder Legislativo deve fiscalizar, mas paralelo ao poder burocrático e institucional, cabe a sociedade civil ativa está presente na formulação dos questionamentos necessário para sanar o déficit de infraestrutura em Angicos. Não queremos mais tapa-buracos, nem nas ruas, nem na política.


*Johnata Macêdo é estudante de Direito na UFERSA e militante do PSOL.



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