Chinês morre em fábrica da Apple, mas família não recebe assistência da empresa

Postado por Modesto Neto às 22:46

A notícia da morte de um jovem trabalhador poderia está estampada em algum jornal abolicionista de circulação regional em uma colônia portuguesa ou espanhola no século XVII. Homens, mulheres e crianças – negros e indígenas – trabalharam até a morte para financiar a ostentação de uma realeza e garantir o lucro de uma burguesia agraria. Seja nos canaviais, cortando pau-brasil, tocando o gado ou no escuro das minas, contabilizar as mortes dos trabalhadores escravos é uma tarefa que os historiadores sabem ser muito difícil.

Somente no Brasil o trafico negreiro foi responsável por transportar 10 milhões de negros vindos da África para o trabalho escravo. Alguns morreram na viagem, outros no trabalho. O Brasil foi o último país do mundo a abolir a escravatura e fez isso em 1888. Se formalmente no Ocidente o trabalho escravo não existe formalmente já que é sancionado por lei, ele continua a se perpetrar por outras formas no Brasil e no resto do mundo.

Do outro lado mundo, na China, um jovem trabalhador veio a óbito recentemente. No mês de fevereiro um chinês de 26 anos morreu depois de trabalhar por mais de 12 horas por dia, sete dias por semana, em uma fábrica da Apple na cidade de Pegatron. A família ainda afirmou que os custos de enterro não foram pagos pela empresa. As informações são da agência Daily Mail.

O jovem conhecido como Tian Fulei foi encontrado morto no dormitório que dividia com outros empregados da Apple, próximo de Xangai. O veredicto de “morte súbita” foi dado, mas nenhuma autópsia foi realizada devidamente. A família do chinês disse que ele trabalhava direto e que sua morte aconteceu apenas dois meses depois de uma investigação da BBC Panorama sobre as condições de trabalho dos chineses.

O irmão dele de 25 anos disse que a família fazendeira sofreu para conseguir pagar as dívidas do funeral de Tian Fulei, que não foi coberto pela empresa. “A desculpa da empresa foi de que ele não trabalhou aquele dia por ter falado que estaria resfriado, então descansaria no dormitório. Seu corpo ficou lá até a noite. Foi examinado apenas na noite do dia 3 e os médicos disseram que ele morreu entre 9h e 10h”, contou.

Fulei estaria fazendo horas extras no trabalho, com um salário de 4 mil Yuan (aproximadamente R$ 1.100,00 ). Ele teria uma namorada e planejava se casar em maio deste ano, mas foi mais uma vítima do modelo capitalista de produção de bens que coloca o lucro acima da vida e produz histórias como essa todos os dias ao redor do mundo.


*Com informações do Portal Terra e agência de notícias Daily Mail.
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