Thor Batista é absolvido em processo sobre atropelamento e morte de ciclista

Postado por Modesto Neto às 23:19
NOTÍCIA

Wanderson dos Santos era um anônimo caminhoneiro que na noite do dia 12 de março de 2012 teve arrancado o braço e a perna após a coalisão de sua bicicleta com o potente carro do empresário Thor Batista, filho do ex-bilionário Eike Batista. Quase três anos depois do ocorrido o jovem empresário foi inocentado nesta quinta (19/2) pela 5ª Vara Criminal do Rio. O veredicto que atesta a “inocência” de Thor reascende o debate sobre a justiça.


Que a justiça age de forma seletiva entre ricos e pobres com pesos e medidas diferentes não é novidade. É corriqueiro o noticiário trazer reportagens sobre duras penas para os pobres, enquanto que crimes de corrupção cometidos pelos tidos “colarinhos brancos” passam imunes pelos tribunais. O caso envolvendo o empresário Thor Batista e o ciclista Wanderson dos Santos é um contraste claro entre o papel cumprido pela justiça para um ricaço carioca e um pobre trabalhador anônimo.

Nesta quinta (19/2) na 5ª Vara Criminal os desembargadores Paulo de Oliveira Lanzellotti Baldez e Luiz Felipe Haddad aceitaram recurso dos advogados de Thor Batista e o absolveram pelo atropelamento causado em 2012. Na transcrição da sentença as provas anexadas ao processo estavam ”contaminadas de dúvidas”, como definiu Baldez. O que é estranho é que o relator do processo que esteve por mais tempo atento às peças do caso, o desembargador Italo França David, foi o único a votar pela condenação que já havia sido decretada em junho de 2014 estipulando multa de R$ 1 milhão por homicídio culposo e dois anos de serviço comunitário.

Os bem pagos advogados do bem nascido Thor Batista, Raphael Mattos e Ary Bergher, reverteram a sentença de 2014, e, agora o filho de Eike, já pode pegar sua carteira de motorista e dirigir sossegadamente pelas ruas do Rio de Janeiro. Na sentença de 2014 estava previsto que Thor Batista teria a carteira de motorista suspensa até 2016. Talvez o jovem empresário não volte a dirigir a 135 km/h como foi detectado no primeiro laudo técnico da Polícia Civil logo após o acidente. 

Porém, ainda cabe recurso à nova decisão da Justiça. A juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da 2ª Vara Criminal de Duque de Caxias, afirma que a condenação de Thor em primeira instância foi dada a partir de provas técnicas, de depoimentos das testemunhas e do interrogatório do empresário. “Obtém-se a certeza, necessária à condenação de Thor, que, no dia dos fatos, criou riscos proibidos que ensejaram o acidente e a consequente morte da vítima”, falou.

No atual período onde qualquer roubo ou furto é motivo para espancamento público, geralmente de jovens negros e pobres, por populares “justiceiros” que não suportam mais a onda de violência crescente nas principais capitais brasileiras, o Thor Batista teve tratamento VIP tanto da justiça quanto das autoridades policiais. O jovem não se apresentou na delegacia e seu carro que foi detido em um pátio da Polícia Rodoviária Federal (PRF), mas posteriormente foi liberado e levado para a casa do empresário por seu advogado. 

Um ditado diz que a justiça é como as serpentes, só pica os descalços. O ciclista Wanderson dos Santos que foi levado a óbito após coalisão com o carro do empresário Thor Batista, mas imaginar que o bem nascido Thor seria linchado publicamente em vias públicas é impossível. O policiamento agiria rapidamente para protegê-lo. O que também é difícil imaginar é que o filho de um empresário bilionário seria condenado e preso pelo homicídio de um trabalhador. Isonomia só na lei, já na realidade pobres e ricos para a justiça tem um lugar bem definido, pois no linguajar jurídico rico e cadeira não rimam em uma mesma frase.
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