Governo Obama deportou mais de 2 milhões de imigrantes

Postado por Modesto Neto às 02:10

O EUA é conhecido mundialmente por guerras, invasões e patriotismo, mas também pelas oportunidades. Contudo, o “sonho americano” de construir fortuna na principal potência econômica do globo parece que está ficando mais difícil de ser sonhado pelo povo latino-americano que muitas vezes vende todos os bens para tentar a vida na América do Norte. Sejam imigrantes brasileiros, uruguaios, equatorianos ou argentinos, as possibilidades de entrada no EUA estão sendo estreitadas assim como a permanência de imigrantes “ilegais”.

Muitos desses imigrantes latino-americanos que estão no EUA são ameaçados constantemente de serem deportados, embora em novembro de 2014 tenha sido aprovada no Congresso a reforma migratória que deveria entrar em vigor na semana passada. Contudo, um juiz do Texas em resposta a ação movida por 26 governado pelos republicanos determinou a suspensão da reforma que facilitaria as condições de permanência dos imigrantes. Essa ação das unidades federativas norte-americanas evoca um patriotismo que é muito singular do EUA: para o povo americano as glórias, para o restante nada.

O presidente Barack Obama que comanda o EUA desde 2009 deportou mais de 2 milhões de estrangeiros nos seis anos à frente da Casa Branca. Nunca um presidente estadunidense deportou tantos imigrantes. O recorde de deportações afasta votos de imigrantes legalizados e mobiliza grupos comunitários que lutam por esses direitos. Isso fez Obama decretar a reforma migratória que foi suspensa pela justiça: o interesse eleitoral. Contudo, limitadíssima ela (a reforma) atenderia uma parcela pouco significativa. Pelo menos 80% dos imigrantes vivem há mais de 10 anos nos EUA e a lei migratória decretada por Obama beneficiaria apenas os que vivem há menos de cinco anos no país ou que têm filhos nascidos nos EUA, ou seja, uma pequena parte deles.

Em entrevista a impressa e em declaração vinculada no Diário Liberdade a salvadorenha Catia Paz falou da atual situação: "há muitas deportações injustas, que não têm a ver com crimes. Pais e mães de família que não fizeram nada e estão sendo deportados" – denuncia. "Obama mente nesse quesito, porque diz que não está deportando ninguém, mas está sim. [Está deportando] pessoas inocentes que só querem bem-estar para seus filhos", completa.

A organizadora comunitária Wendy Jiménez também critica da mesma forma as deportações injustas de imigrantes latino-americanos que vivem e cumprem seus deveres como qualquer cidadão estadunidense. "São cidadãos americanos, que pagam seus impostos, que não têm nenhum tipo de problema com a Lei, que contribuem bastante com a comunidade, donos de casa, donos de negócios, estão sendo deportados injustamente."

O jornal mexicano La Jornada escreve em suas páginas que é evidente que as leis migratórias vigentes nos EUA são "disfuncionais e hipócritas", além de injustas, já que a economia do país precisa da força de trabalho dos imigrantes. Além disso, sua criminalização "favorece sua exploração laboral e inclusive carcerária, o que gera lucros astronômicos a patrões e corporações que veem na reforma migratória uma ameaça a seus interesses econômicos e que, consequentemente, financiam um intenso lobby no Capitólio para atacá-la".


Essa decisão de suspensão da reforma migratória "prolonga as condições de perseguição policial, agressões racistas, precarização do trabalho e marginalização e exclusão dos serviços básicos" para os imigrantes. "Desta maneira, a autoproclamada terra das oportunidades e das liberdades exibe seu rosto verdadeiro", conclui o jornal.

*Com informações do Diário Liberdade.
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