segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Manuel Castells: “O grande erro da esquerda é pensar que movimentos sociais são sempre bons”




“SOPRAM VENTOS MALIGNOS no planeta azul”.

É com essa sentença que o catalão Manuel Castells, um dos sociólogos mais citados do mundo, abre seu mais novo livro, do qual ele falou, pela primeira vez publicamente, no Rio de Janeiro esta semana.

O recém-lançado “Ruptura: La crisis de la democracia liberal” (Alianza Editorial, ainda sem tradução para o português) resume em 128 páginas um cenário mundial ainda vítima dos ecos da crise financeira global, assolado por mudanças climáticas, que enfrenta um terrorismo fanático e sofre inúmeras violações de direitos humanos. Além dessas crises, vive outra, talvez irreversível: a da democracia liberal. Um colapso, em várias nações, da relação entre governantes e governados.

“Meu ponto de partida é muito simples: se, mesmo em países com distintas características e especificidades próprias, surge o mesmo fenômeno, então podemos pensar como hipótese que é o modelo que está caindo”, resumiu no evento.

Professor celebrado em universidades de Estados Unidos, França, Espanha e Inglaterra, Castells é também leitura quase certa de cursos de ciências humanas no Brasil. Daí a lotação desta quarta (6) à noite do Teatro Oi Casa Grande, na zona sul do Rio de Janeiro, que recebeu quase mil pessoas para a sua palestra no seminário “Urbe – Perspectivas contemporâneas”.

Que crise é essa, afinal?

No seu livro anterior, “Redes de indignação e esperança – Movimentos sociais na era da internet”, lançado em 2012, Castells já alertava para como populações ao redor do mundo andavam descrentes de suas instituições, especialmente políticas; descrentes, inclusive, de movimentos contrários aos governos, como os partidos de oposição. Desiludidas, portanto, das instituições políticas que “não as representavam”.

Em linhas gerais, conforme mostram estudos como o Trust Barometer, do Instituto Edelman, a maioria das pessoas, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, acredita cada vez mais que os partidos priorizam apenas seus interesses e que os governos são corruptos, injustos, burocráticos e opressivos.

“Os movimentos recentes colocam a dignidade e a democracia como meta, mais do que o combate à pobreza. É um protesto democrático e moral, como a maioria dos outros recentes”

Segundo Castells, esse espírito geral acabou se traduzindo em grandes protestos de rua que, em comum, não tinham lideranças claras e eram gestados na internet. Na publicação de 2012, o pesquisador olhou para as manifestações surgidas a partir de 2010, como o Occupy Wall Street, nos Estados Unidos; o movimento dos indignados, na Espanha; e o início da Primavera Árabe – a grande onda revolucionária que começou por Tunísia e Egito e percorreu outros países do Oriente Médio e Norte da África.

À época, essas manifestações estavam carregadas de um sentimento de indignação, mas também, como Castells ressaltou no próprio título, de esperança com relação a um futuro mais democrático, mais igualitário.

“De início, eram uns poucos, aos quais se juntaram centenas, depois formaram-se redes de milhares, depois ganharam o apoio de milhões, com suas vozes e sua busca interna de esperança, confusas como eram, ultrapassando ideologias e a publicidade para se conectar com preocupações reais na experiência humana real que fora reivindicada”.

Em “Redes de indignação e de esperança”, o professor não incluiu o exemplo do Brasil, mas visitou o país bem no começo dos protestos de 2013, quando milhares de pessoas – da direita e da esquerda – ainda ocupavam a mesma Avenida Rio Branco, no Rio, e outras ruas país afora, num movimento cujos objetivos, até então, estavam bastante difusos. Ele enxergou as manifestações brasileiras como mais uma expressão da rede interconectada de que fala em seu livro.

“O grande erro da esquerda é pensar que movimentos sociais são sempre bons, porque não são.

“Os movimentos recentes colocam a dignidade e a democracia como meta, mais do que o combate à pobreza. É um protesto democrático e moral, como a maioria dos outros recentes”, chegou a comentar em 2013. E avaliou como positiva aquela sintomática ausência de líderes que permeou o início do movimento: “Não há cabeças a serem cortadas. Assim, as redes se espalham e alcançam novos espaços na internet e nas ruas”.

Passados poucos anos, que mais parecem um século pela dimensão das transformações, Castells está bem menos esperançoso quanto aos desdobramentos desse processo. Sem instrumentos legítimos, não se solucionam crises, vaticinou o sociólogo durante sua palestra. E o resultado prático da descrença nas instituições, especialmente políticas, vem sendo a rejeição das formas partidárias existentes e a guinada em direção ao anti-establishment.

“Quando há crises que vão destruindo as bases da vida cotidiana nos planos econômico, social, cultural, ecológico, pessoal, e quando os instrumentos de gestão da sociedade parecem cada vez menos confiáveis, surgem movimentos destitutivos, não controlados por partidos e de distintas orientações ideológicas”, afirmou Castells no teatro.

“O grande erro da esquerda é pensar que movimentos sociais são sempre bons, porque não são. Vocês sabem no Brasil, os movimentos sociais surgem de todos aqueles setores e valores que não têm uma expressão direta, clara e aberta no sistema político, vão tanto da extrema-esquerda quanto a extrema-direita”, disse ainda.

Os exemplos da ruptura

Em sua mais recente publicação, Castells analisa expressões da ruptura do modelo de democracia liberal: a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos; o resultado do Brexit, no Reino Unido; a desconfiguração partidária da França, que ameaçou eleger a figura da extrema-direita Marine Le Pen e deu a vitória a Emmanuel Macron, o “enterrador de partidos”.

“Trump surge desses movimentos sociais contra a crise das instituições. Trump ganhou a eleição contra os Democratas e contra os Republicanos”, afirmou o sociólogo na quarta-feira. “Foi um voto xenófobo e racista, mas também de desespero de zonas americanas mais afetadas pelas consequências econômicas da globalização, sobretudo a classe operária branca”.

E concluiu: “Trump não é um dirigente republicano tradicional. É um líder de um movimento social identitário, antiglobalização, racista e xenófobo”.

Para Castells, a saída do Reino Unido da União Europeia através do referendo do Brexit teve as mesmas motivações econômicas e ideológicas que o voto em Trump. Um fenômeno parecido se observa em outras regiões da Europa, como na Alemanha e nos países escandinavos: enquanto figuras e partidos tradicionais perdem status, grupos identitários e anti-establishment ganham participação política.

Movimento reversível?

E quais seriam as saídas da crise? “Não sei”, adianta o pesquisador. Mais moderado que no início da década sobre o potencial das redes na consolidação e no fortalecimento das democracias, ele afirmou que a internet é um instrumento importante que ajuda na transparência, mas não serve de solução. Lembrou também que as tentativas no mundo ocidental de controle das instituições ou de mudanças das regras da participação política acabaram não evitando a crise.

Para Castells, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Brasil foi um desses exemplos falhos de tentativa de controle de instituições políticas. Em tom de provocação e arrancando risos da plateia, afirmou que vamos virar especialistas mundiais da modalidade: “O Brasil terá comissões constitucionais, estudiosos virão aqui para ver como se fazem impeachments”.

O sociólogo, que diz ter uma relação profunda com o Brasil, considera que o país vive “uma total decomposição do sistema político”. Ele conta ter lido todas as declarações dos deputados durante a votação que derrubou a presidente Dilma, em agosto de 2016.

“Li desde aqueles que enviavam mensagens à mãe ao execrável Bolsonaro mencionando o torturador da presidenta. Vocês acreditam que isto é um processo típico da democracia liberal? Nem aqui, nem em parte nenhuma”, criticou.

Plínio Sampaio Jr. visita Natal onde será lançado como pré-candidato à Presidência pelo PSOL



O professor livre-docente do Departamento de Economia da Unicamp (SP), Plínio Sampaio de Arruda Jr., desembarca amanhã (12/12) no Aeroporto Internacional Aluísio Alves, para cumprir uma extensa agenda de reuniões, atividades políticas e entrevistas em rádios e canais de televisão. O pré-candidato fica em Natal até a quinta.

Plínio Jr. já foi reconhecido oficialmente pelo Congresso Nacional do PSOL, como um dos pré-candidato do partido as eleições presidências de 2018. O PSOL fará uma Conferência Eleitoral até o final de março e definirá qual nome da agremiação concorrerá naquela que poderá ser a eleição mais acirrada desde 1989, quando o Brasil teve sua primeira eleição direta após 21 anos de Ditadura Militar.

Na quarta-feira (13) às 18h30mim ocorrerá no Sindicato dos Bancários o Seminário “Uma resposta da Esquerda coerente para o Brasil”. O professor Robério Paulino, ex-candidato ao Governo do RN, o vereador Sandro Pimentel e a pediatra e sindicalista Sônia Godeiro são algumas das figuras públicas que estarão presentes na atividade. O professor e ex-candidato a Prefeitura de Angicos (RN), Modesto Neto, também estará presente.

Como pré-candidato à Presidência da República, Plínio Jr. está com uma intensa agenda nacional, visitando capitais e médias cidades, participando de debates em faculdades e entre organizações dos movimentos sociais. A ex-candidata à Presidência pelo PSOL, Luciana Genro é uma das figuras públicas que apoiam internamente o nome de Plínio Sampaio Jr.




SERVIÇO

O que? Seminário “Uma resposta da Esquerda coerente par ao Brasil”

Quando? 13/12 (quarta)

Aonde? Sindicato dos Bancários (Av. Deodoro da Fonseca, 419)

Que horas? 18h30mim

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Plínio Jr. é pré-candidato a Presidência da República pelo PSOL


Plínio Jr. apresenta sua pré-candidatura a Presidente no Congresso do PSOL

O economista e professor livre-docente da UNICAMP, Plínio de Arruda Sampaio Jr. foi lançado como pré-candidato à Presidência da República no 6º Congresso Nacional do PSOL, que ocorreu em Luziânia entre os dias 2 e 3 de dezembro. A pré-candidatura encampada por um conjunto de forças políticas e correntes internas do Partido Socialismo e Liberdade tem a simpatia de jovens militantes, intelectuais brasileiros, ativistas de movimentos sociais e mandatários do PSOL como o vereador carioca Renato Cinco e o deputado paulista Carlos Giannazi. Intelectuais como Paulo Arantes, Ricardo Antunes, Ruy Braga, e, figuras históricas do PSOL como Babá e Robério Paulino, também são entusiasta da pré-candidatura. 

A ex-deputada federal e ex-candidata à Presidência da República, Luciana Genro, declarou apoio a pré-candidatura do Plínio Jr. O apoio da principal figura pública do partido pode ter um peso substancial no momento que o PSOL decidir bater o martelo sobre seu candidato. A instância máxima do partido (o 6º Congresso Nacional) aprovou uma Conferência Eleitoral para o final do primeiro trimestre de 2018. A expectativa é que o nome do partido ao maior cargo da República seja oficializado até o final de março.

Plínio Sampaio não é o único pré-candidato do partido. A líder indígena Sônia Guajajara, o pedagogo e líder do movimento negro baiano, Hamilton Assis e o intelectual catarinense que preside o Instituto de Estudos Latino-americanos (IELA), Nildo Ouriques, também tiveram seus nomes lançados.  O líder do MTST, Miguel Boulos também é um dos nomes que poderá filiar-se ao PSOL e pleitear a disputa presidencial. O nome de Boulos enfrenta forte resistência entre os setores do partido que são mais críticos a política econômica aplicada nos últimos governos do PT, liderados por Lula e Dilma Rousseff.




Para conhecer e assinar o Manifesto de Lançamento da Candidatura de Plínio Jr clique AQUI. A Página Pública do candidato no Facebook pode ser acessada AQUI.




Conheça o catarinense Nildo Ouriques, que pode ser candidato à presidência pelo PSOL. Veja AQUI e acompanhe o Faceboook de Nildo AQUI MESMO.




Movimento ecossocialista lança Sonia Guajajara como pré-candidata à Presidência da República. Veja AQUI.  A página pública no facebook da pré-candidata também tá AQUI.



Acompanhe a página pública de Hamilton Assis no Facebook AQUI.

6º Congresso Nacional aprova entrada do MAIS no PSOL


Os trabalhos deste sábado (02), do 6º Congresso Nacional do PSOL, que acontece em Luziânia/GO, encerraram com a aprovação do ingresso do MAIS (Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista) no partido. Por unanimidade, os delegados e as delegadas aprovaram a resolução que estabelece as diretrizes para a filiação dos militantes que integram a organização.

Defendida pelo historiados e professor do IFSP (Instituto Federal de São Paulo) Valério Arcary, a entrada do MAIS foi recebida com muito entusiamo pelos militantes presentes no 6º Congresso Nacional. “É motivo de orgulho que as camaradas e os camaradas do MAIS tenham encontrado no PSOL seu espaço de organização e militância. A identidade no programa se demonstrou na prática na luta social, na frente povo sem medo e na luta contra o golpe e as medidas anti-populares de Temer”, destaca trecho da resolução aprovada.

O movimento decidiu solicitar o ingresso do PSOL em seu congresso nacional, realizado de 27 a 30 de julho deste ano. Antes disso, o MAIS atuava como movimento independente desde que surgiu, no dia 23 de julho de 2016, fruto de uma ruptura com o PSTU.

O documento aprovado por unanimidade define, ainda, como se dará a participação dos novos militantes nas instâncias partidárias. “Considerando as circunstâncias da entrada de um coletivo organizado nacionalmente, é necessário um processo de transição que garanta a participação do MAIS nas instâncias de decisão do partido, mas não comprometa o princípio do voto e a proporcionalidade das instâncias tal qual aferida pelo congresso”.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Prefeito Oton Mário do PSOL tem aprovação de 77% em Jaçanã

Na contramão do que prega a oposição, na última segunda-feira (27), o Instituto Tiradentes divulgou uma pesquisa de opinião em que a gestão do nosso prefeito Oton Mário aparece aprovada por 77% dos jaçanaenses. 

De acordo com o próprio Instituto a pesquisa foi feita via ligação telefônica. Nessa metodologia, os pesquisadores ligaram para as casas ou celulares das pessoas e lhes fizeram a seguinte pergunta: "Na sua opinião como você avalia os primeiros 330 dias da gestão do prefeito Oton Mário de Jaçanã?"

Segundo o IT, os resultados da pesquisa apontam que 55% dos entrevistados acham que a gestão é ótima, 22% opinaram que acham boa, 15% disseram que é regular e 8% declararam ser péssima. A pesquisa foi espontânea e não foi encomendada nem pelo prefeito e nem por algum órgão da nossa municipalidade. "Eu fiquei muito surpreso quando recebi essa pesquisa. A recebi pelos Correios e nem conhecia o Instituto Tiradentes, mas fico muito lisonjeado com os resultados. Isso prova que, apesar das dificuldades enfrentadas, estamos no caminho certo e que o nosso povo tem reconhecido o nosso trabalho e esforço em prol de uma gestão séria e inovadora", explicou o gestor.

O Instituto Tiradentes (www.institutotiradentes.com.br) tem sede em Viçosa-MG e trabalha com gestão pública a muitos anos. O órgão tem o compromisso com o pluralismo de opiniões e o debate qualificado de ideias e acredita na democracia como processo de deliberação dos assuntos públicos, assim reconhece o esforço de prefeitos e agentes públicos em buscar conhecimento para trabalhar em prol da sua comunidade.